30 outubro 2005

Costurando...


Na minha caixa de costura tem de tudo um pouco: fitas, fitilhos, passa-maria e botões. Elástico, galardão, zíper e fechos. Passo em um armarinho e sempre saio com alguma coisinha, bem baratinha, e coloco na minha caixinha. Quando canso de uma roupa, troco logo os botões. Coloco uma fita, bordo umas coisinhas. Este casaco da Lolinha ganhou uns corações, além de uma bainha em ponto caseado. Este ponto é delicioso, vou passar para vocês...

A família urso


A família urso ganhou roupa nova. Haja mão e olho para costurar tão pequenininho... Lola adorou e participou. Falou que com a minha caixa de costura eu fazia mágicas.

25 outubro 2005

Vamos combinar?


Vamos combinar que não é blog, é blogue, que não é linkar, é criar um atalho, que não é postar, é publicar, que não é deletar, é apagar? Afinal, somos 200.000.000 de pessoas que falam a língua portuguesa em nosso planeta! Vamos nos preservar!!!
Vamos combinar que já é quase dezembro, e o natal já está chegando, e que nós não vamos ser atacados por uma febre de consumo? Por causa dos anúncios na televisão, que só vão enriquecer os grandes lojistas, que repassam para suas mercadorias os custos de suas enormes fortunas, nos enganando com falsas promoções?
Vamos combinar de privilegiar as lojinhas que geram empregos em nossos bairros, em nossas pequenas cidades, com um preço um pouquinho mais caro, mas oferecendo oportunidades?
Vamos combinar que vamos comprar pelo menos um presente numa loja de artesanato popular, feito por alguém lá de longe, e que talvez só tenha esta renda para se alimentar?
Vamos combinar que outro presente a gente vai comprar de quem está começando, e ainda experimentando, formas de se expressar?
Vamos combinar que você não vai gastar todo o seu 13 salário e vai reservar um pouquinho para você descansar? Vamos combinar que você não vai estourar o limite do seu cartão e se endividar? E que você só vai dar o que você realmente quer presentear?
Vamos combinar que você vai explicar para as crianças que aquele brinquedo caríssimo logo, logo, vai perder a graça? E que existem brinquedos, que não aparecem na televisão, mas são super legais?
Vamos combinar que você vai comprar um vestido todo florido e pintar as unhas de vermelho, e se sentir a mulher mais bela na noite de natal, e que seus olhos vão brilhar? Mesmo com uns quilinhos a mais?
Vamos combinar que você vai ficar super feliz ao reunir toda a sua família, inclusive aquela tia velhinha que todo o ano todo mundo esquece de convidar? Vamos combinar que neste natal você vai telefonar para "aquele" parente, porque todo mundo pode errar e se consertar?
Vamos combinar que presente é o que a gente sente e não o quanto a gente pode gastar?
Vamos combinar?

19 outubro 2005

Tricotando... tricotando... tricotando...

Vou viajar, volto logo, publiquei o esquema do casaco do João (frente).
Já sei de uma lojinha, bem escondidinha, lá no lugar que eu vou. Só de trabalhos em crochê e tear! Pergunta se eu vou fotografar? Tomara que esteja aberta... Bjs e saudades de vocês. Semana que vem tem novidades.

17 outubro 2005

O fio da meada

Cá estou eu às voltas com os fios de minhas meadas. Tudo para ter o prazer de trabalhar com pura lã. Como é bom... Tive a sorte de ganhar um enrolador de fios, o que me ajuda bastante. Mas neste blog tem uma técnica simples e fácil de enrolar os fios de nossas meadas.

14 outubro 2005

Trabalhando...


Feriado movimentado. Pouco tempo para tudo.
E estou eu aqui, com a mesa entulhada de papéis, prazos curtos e essa arrebatadora obrigação a cumprir. Mas numa brechinha, pegando carona no trabalho, me surge Rose Marie Muraro, esta fantástica pensadora do feminino:
"Há pouco tempo, fez um exame e descobriu que suas artérias eram comprometidíssimas por causa do colesterol altíssimo. E quando perguntou ao médico se não deveria estar morta há muito por causa disso, ouviu, surpresa: "Devia, mas a senhora é uma mulher feliz e é a raiva que mata". Rose detestou a resposta. Afinal, vive dizendo que nunca foi e que não quer ser feliz. Para ela, a felicidade é burra e sua inquietação resulta em criação:
- Entender o mundo também é uma maneira de vê-lo. Concordo com Toni Morrison, que ganhou o prêmio Nobel, quando ela diz que a felicidade é a procura de uma totalidade que só acontece com as pessoas que não foram felizes. Para ela, ser feliz é muito chato e muito pouco, porque fecha o ser humano para a totalidade, que é ordem e desordem, felicidade e infelicidade. No meu caso, se eu quisesse ser feliz, não teria a vida "tão estranha" que tive, teria me acomodado na felicidade.
A inquietação de Rose Marie começou a partir do desejo de entender a realidade à sua volta e com a abertura para o desejo de criar:
- A criação foi, para mim, sempre mais satisfatória que qualquer felicidade pessoal. Só entende isso quem cria. Por isso, a vida inteira fui atraída pelo impossível. Só o impossível abre o novo. Só o impossível cria. "

E minhas tessituras, seguem me esperando.

10 outubro 2005

Por que as mulheres tecem?



Esta pergunta não me sai da cabeça. Desde que o Tessituras existiu pela primeira vez, nas páginas soltas de um caderno há muito tempo esquecido por mim. Por que as mulheres tecem?

Tecer é como compor. É abrigar. É abraçar com fios, a quem se ama. É dispor de tempo para o outro (este tão precioso tempo). Tecer é herdar de nossos antepassados, naturalmente, o que houve de melhor em nós mesmas. A capacidade de amar.

Tecer é celebrar nossos primeiros amores. Nossos primeiros filhos. Nossos primeiros netos. Nossos tão queridos enxovais, ritos de iniciação. Tecer é celebrar cada momento.

Tecer é doar de si mesma a quem vai chegar. A quem chegou. A quem partiu, há muito tempo e ainda não voltou. Mas está em nós, em nossa mais íntima tessitura.
Tecer é arrumar um vaso de flores e por baixo, colocar um paninho. Tecer é fazer uma trança no cabelo de uma menina e colocar uma flor. Tecer é bordar a fronha do travesseiro do seu filho. Tecer é agasalhar o seu neto. Tecer é amar e saber que ama.

Escrever um blog é como publicar um livro em parágrafos. Com o privilégio de poder ouvir o leitor. Participem. Escrevam. Recomendem. Senão, nós só vamos compartilhar nossas tessituras com nós mesmas.

07 outubro 2005

O xale da Tete


Tete é tricoteira de primeira. Adora tecer com lã e fio, tudo junto, o que dá um efeito bem bonito. Foi ela que me deu as agulhas de Thereza e a manta de Vivina. Quando eu pedi a receita do xale, ela me falou que a receita era orgânica, tem que ir fazendo e sentindo... Mas mesmo assim eu postei para vocês.

05 outubro 2005

Tricotando... tricotando...


E o casaco do João começa a tomar forma...
Vou tricotando no carro, depois do almoço, nas poucas horas que me restam à noite. Engraçado é perceber o tempo de uma tessitura.
João, meu filho observa:
- Mãe, você tem muita força de vontade!
Eu penso: no mundo de hoje, o tempo de uma tessitura é completamente... inesperado. Cercados de informações rápidas e horários curtos, se permitir a tecer é um privilégio para poucos. Como nós.

03 outubro 2005

A manta de dona Vivina

Etelvina é mãe de George, que é pai de Maria Thereza, que é mãe de Rosa, que é mãe da Lola. De Vivina, herdei esta manta, que ela teceu para mim quando eu nasci. Um trabalho de crochet impressionante, são centenas de rosinhas e folhinhas tecidas dia após dia, noite após noite. Do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, são 4 gerações de mulheres tecendo. Com esta manta, aqueci Lola em sua primeira noite aqui conosco. Com esta manta, aprendi um pouquinho sobre o que é amar.