Sobre mulheres e onças


Há muito tempo atrás, eu conheci um povo nas altas serras de Roraima. No Catrimaní.
Apenas pessoas, despidas de todas nós. Sem referências, só elas e a grandeza de seu espaço. Nestas serras, cobertas de florestas, vivem em suas xaponas, casas comunitárias, com seus poucos pertences. Compartilhando a vida.
Tecem fibras de palmeira que se transformam em peneiras, redes e cestos. Tecem faixas onde, entre o ombro e a cintura, carregam seus filhos. Colhem frutos e semeiam. Deixam os velhos contarem as histórias do mundo, fazem amor em silêncio, quando partem, deixam árvores para quem vai chegar. E as mulheres, desejam ser tão belas como as onças.
No Catrimaní, ví um povo de extremada beleza. E aprendi um pouco sobre a simplicidade, esta amiga que caminha o tempo todo ao nosso lado.

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