14 outubro 2005

Trabalhando...


Feriado movimentado. Pouco tempo para tudo.
E estou eu aqui, com a mesa entulhada de papéis, prazos curtos e essa arrebatadora obrigação a cumprir. Mas numa brechinha, pegando carona no trabalho, me surge Rose Marie Muraro, esta fantástica pensadora do feminino:
"Há pouco tempo, fez um exame e descobriu que suas artérias eram comprometidíssimas por causa do colesterol altíssimo. E quando perguntou ao médico se não deveria estar morta há muito por causa disso, ouviu, surpresa: "Devia, mas a senhora é uma mulher feliz e é a raiva que mata". Rose detestou a resposta. Afinal, vive dizendo que nunca foi e que não quer ser feliz. Para ela, a felicidade é burra e sua inquietação resulta em criação:
- Entender o mundo também é uma maneira de vê-lo. Concordo com Toni Morrison, que ganhou o prêmio Nobel, quando ela diz que a felicidade é a procura de uma totalidade que só acontece com as pessoas que não foram felizes. Para ela, ser feliz é muito chato e muito pouco, porque fecha o ser humano para a totalidade, que é ordem e desordem, felicidade e infelicidade. No meu caso, se eu quisesse ser feliz, não teria a vida "tão estranha" que tive, teria me acomodado na felicidade.
A inquietação de Rose Marie começou a partir do desejo de entender a realidade à sua volta e com a abertura para o desejo de criar:
- A criação foi, para mim, sempre mais satisfatória que qualquer felicidade pessoal. Só entende isso quem cria. Por isso, a vida inteira fui atraída pelo impossível. Só o impossível abre o novo. Só o impossível cria. "

E minhas tessituras, seguem me esperando.